segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Como Seria Se Eu o Perdesse?


“Há tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar”  Eclesiastes 3.5

“Precisamos tentar chegar ao ponto de ver o que possuímos exatamente com os mesmos olhos com que veríamos tal posse se ela nos fosse arrancada. Quer se trate de uma propriedade, de saúde, de amigos, de esposa e de filhos, em geral percebemos o seu valor apenas depois da perda.”  Arthur Schopenhauer, em 'A Arte de Ser Feliz'
A forma como atribuímos valor à vida e às pessoas é no mínimo estranha!  Como caçadores obstinados, estamos sempre em busca de algo, em busca de preencher alguma falta. Ora o que nos falta é o emprego, ora são amigos, ou filhos, ou esposa, ou esposo; ora nos falta uma casa ou carro; ora nos falta dinheiro ou descanso; ora nos falta saúde ou paz, enfim, sempre nos relacionamos com a vida pela via da falta. O passo seguinte é a luta que travamos para alcançar o preenchimento dessas faltas e amenizar nossas angústias e infelicidades. Então, o que era falta, agora é posse. Temos o tão sonhado emprego, casamento, filho, dinheiro, casa, saúde etc, mas ao invés de plena satisfação, o que paira silenciosamente é uma sensação de que não sabemos exatamente como lidar com nossas “posses”.  A verdade é que somos estranhos! Lutamos para ter e quando temos, não atribuímos o valor devido ao que temos. Já dizia o poeta inglês Thomas Hardy: “A felicidade não depende daquilo que nos falta, mas do bom uso que fazemos daquilo que temos.”
Segundo a lei de mercado, é na falta de um produto e no excesso de procura, que tal produto tem o seu valor aumentado; e ao contrário, se existe muita oferta do mesmo produto e pouca procura para consumo, o valor do mesmo despenca.  Em suma, é na falta que o valor aparece. Assim como o silêncio ou pausas em uma música faz destacar o som e produzir uma linda melodia. O que seria do som se não fosse o silêncio? Mas será necessário perdermos para aprendermos a valorizar? Parece que sim, por mais que eu não concorde. Os gritos de angústia e dor sempre surgem quando perdemos o emprego, quando o dinheiro acaba, quando os filhos se vão, quando a esposa cansada pede divórcio, quando um pai ou mãe adoece e morre, quando damos adeus para um amigo ou quando uma doença nos domina.
Deveríamos olhar para o que temos e atribuirmos o valor que lhe é devido, enquanto temos, e não esperar a violência de uma perda para que nosso coração se desperte. Dê uma olhada para tudo o que possui, observe atentamente as dádivas de Deus e se pergunte: Como seria se eu o perdesse? Na projeção de uma perda, encontramos o verdadeiro valor das pessoas e coisas.

 “Não é difícil amar o que nos falta, o maior desafio é amar o que temos”  André Comte-Sponville

Pr. Hilquias

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

GRAÇA PRECIOSA X GRAÇA BARATA

A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina comunitária, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado.

A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o ser humano sai e vende com alegria tudo quanto tem; a pérola preciosa, para cuja aquisição o comerciante se desfaz de todos os seus bens; o senhorio régio de Cristo, por amor do qual o ser humano arranca o olho que o faz tropeçar; o chamado de Jesus Cristo, pelo qual o discípulo larga suas redes e o segue.

A graça preciosa é o Evangelho que se deve procurar sempre de novo, o dom pelo qual se tem que orar, a porta à qual se tem que bater.

Essa graça é preciosa porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo; é preciosa por custar a vida ao ser humano, e é graça por, assim, lhe dar a vida; é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. Essa graça é sobretudo preciosa por ter sido preciosa para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho - "vocês foram comprados por preço" - e porque não pode ser barato para nós aquilo que custou caro para Deus. A graça é preciosa sobretudo porque Deus não achou que seu Filho fosse preço demasiado caro para pagar pela nossa vida, antes o deu por nós. A graça preciosa é a encarnação de Deus.

Dietrich Bonhoeffer - Fragmento da obra: Discipulado

HOJE, é tudo que tenho!



“Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece. Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo.” Tiago 4.14,15


Arthur Schopenhauer, em A Arte de Ser Feliz, ao afirmar que sabedoria de vida é usufruir do presente, declara: “...planos e preocupações com o futuro ou também a saudade do passado ocupam-nos de modo tão contínuo e duradouro, que o presente quase sempre perde a sua importância e é negligenciado; no entanto, somente o presente é seguro, enquanto o futuro e mesmo o passado quase sempre são diferentes daquilo que pensamos. Sendo assim, iludimo-nos uma vida inteira.” 

É curioso o que fazemos com a vida, ao viver ancorado no passado, normalmente carregado de saudosismo infrutífero e nostalgia insignificante; ou ainda, projetando a vida sempre para frente, como se, de alguma maneira, o melhor sempre tivesse distante, e tudo que tenho que fazer é dar um passo a mais e sempre um passo a mais, para quem sabe um dia agarrar uma tal felicidade. De certa forma, sonhar é preciso, pois os sonhos nos movem. Minha crítica à projeção que fazemos no futuro, não se refere ao exercício de planejar, ter esperanças, expectativas e se mover por fé na certeza de que o melhor de Deus está por vir, pois ao contrário morreríamos; mas, me refiro ao fato de fazer do futuro uma condição de negação do presente. Muitos são aqueles que se sustentam em discursos futuristas ou preteristas e de forma leviana acabam negando a vida que já possuem e, portanto, abraçam uma falsa sensação de vida, uma ilusão. Trata-se de um prejuízo incalculável, negar a vida ao negar o hoje, o tempo presente, pois o presente é tudo o que temos, já dizia Tiago, ao afirmar que não sabemos nada sobre o futuro e que a vida é frágil e transitória como um vapor.

Por ignorar o presente e viver em um movimento pendular improdutivo de ora no passado, ora no futuro, perdemos oportunidades fantásticas de afirmar a vida que Deus nos deu e usufruir da graça de Cristo no aqui e agora. Perde-se tanto por não enxergar o valor imensurável do momento presente. Já afirma o dito popular: “quem vive de passado é museu”, eu ainda diria: quem vive de futuro é lunático, louco.
Não somos pessoas sem passado ou sem futuro, pois o passado diz muito sobre nós e o futuro se apresenta como esperança. No passado estão os registros mais relevantes que me permitem entender o porquê sou quem sou; e no futuro a projeção de conquistas que ainda não fiz. Mas mesmo estando carregado de sentidos, de importância, tanto o passado quanto o futuro, ainda assim, tudo o que realmente tenho é o presente. É o que posso mensurar, tocar, usufruir. Nosso pecado é a demasia com que atribuímos valor ao passado e ao futuro. Arthur Schopenhauer em Aforismos para a Sabedoria de Vida,  afirma: “Muitos vivem em demasia no presente: são os levianos; outros vivem em demasia no futuro: são os medrosos e os preocupados.”
Tudo que temos é hoje! Afirme-o, pois é dádiva divina. O presente constitui o cenário perfeito para a nossa felicidade.

“Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo...”  Mateus 6.34

Pr. Hilquias 



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Mergulho em Deus

  Uma das marcas incontestáveis do cristianismo contemporâneo é a superficialidade; talvez seja esta a marca de nossa geração e para além da própria fé, estejamos tecendo nossa história, nos mais diversos níveis, com os fios frágeis da transitoriedade constante, sem nunca aprofundar em coisa alguma. Mas quando o assunto é vida com Deus, o que se requer de nós é uma postura que nos mova da superfície para as profundezas da vida espiritual. 
    Gideão, personagem que muito contribui sobre o assunto em questão, tem parte de sua história narrada em Juízes 6.11-27 e nesse episódio, o retrato pintado era de um homem que se furtou o prazer e o direito de viver intensamente sua fé, pelo simples fato de se permitir ser dominado por seus medos, seus fantasmas.  Deus queria usá-lo para livrar Israel das mãos dos midianitas, mas seria necessário, antes de tudo, um mergulho em Deus e a ruptura com as distorções existências que lhe marcavam. Quero destacar pelo menos cinco questões relevantes nesse processo:
     Primeiro que sair da superficialidade só foi possível para Gideão, na medida em que seus medos foram superados. Ele vivia se escondendo, buscando refúgio em um velho carvalho, evitando possíveis confrontos (v.11). Foram sete anos de anulação de todo o seu potencial. Nossos medos nos impedem de avançar. É preciso sair do refúgio de nossos “carvalhos”, enfrentar a vida na dependência de Deus e suplicar ao Espírito Santo que nos revista de ousadia, de coragem. Não é possível construir nada relevante, se somos o tempo todo governados por nossos assombros, ao invés de soberanamente ser conduzidos por Deus.
     Segundo que Deus precisou corrigir uma distorção em sua auto-imagem. Deus o via como um “homem valente” (v.12), mas ele se via como um covarde. A forma como nos enxergamos muda tudo. Se avançamos, se recuamos, está ligado de certo modo à nossa auto-imagem. Quando Gideão se observava, só via desvalor, fracasso. É preciso se enxergar tomando emprestadas as “lentes” de Deus, pois ele nos vê, como pessoas cheias de valor e potencial, pois fomos criados à sua imagem e semelhança. Não adianta focar no olhar alheio e esperar que todos te vejam como alguém de valor, se você mesmo não se vê desta maneira. A forma como você se enxerga, molda seu caráter. Gideão precisou dar crédito ao Senhor e acolher como verdade absoluta o olhar divino que lhe conferia coragem – “homem valente”.
     Terceiro que Gideão precisou aprender a valorizar o que tinha em mãos. O Senhor disse a ele: “vai nesta tua força” (v.14). Ele tenta contra-argumentar dizendo: “minha família é a mais pobre... e eu o menor na casa de meu pai”. Veja, a melhor pessoa que Gideão poderia ser era Gideão. Não importa que história de família temos, se somos pobres ou ricos, se moramos em uma mansão ou temos uma casa simples e financiada, se somos negros ou brancos, se falamos vários idiomas ou mal dominamos o nosso; o que importa é que não podemos fugir de quem somos e é exatamente a partir de quem somos e do que temos em mãos que Deus quer nos usar. Não precisamos ser outra pessoa e nem ter o que os outros têm para ir mais longe. O milagre de Deus começa a partir do que é realidade presente em nós.
     Quarto que Gideão precisou desconstruir todas as suas falsas confianças e estabelecer uma confiança plena no poder e na graça de Deus. O Senhor lhe disse: “Eu hei de ser contigo e tu ferirás aos midianitas como a um só homem”. Se Gideão tinha alguma garantia de vitória, esta não estava apontada para si mesmo, mas para o Senhor. Nossas vitórias se estabelecem a partir de nossa fé, nossa esperança, nossa confiança em Deus. Viver desconfiado, governado por dúvidas, questionamentos, inseguranças não te permitirá sair da superfície. É na medida que creio no sobrenatural, que creio no poder do amor de Deus por mim, é que posso dar o passo seguinte e mergulhar mais fundo nas experiências espirituais.
     Por último, se queremos mergulhar e sair da superfície espiritual, assim como Gideão, vamos precisar restabelecer nosso culto pessoal a Deus. A Bíblia afirma que “Gideão edificou ali um altar ao Senhor” (v.24). Deus está à procura de adoradores e não de expectadores ou platéia. Deus não realiza uma obra através de nós, sem antes fazer uma obra em nós. Não podemos construir nenhuma expectativa de romper com a superficialidade, se somos incapazes de romper com o comodismo, com a preguiça e levantar nossos altares caídos. É preciso colocar fogo no altar, ou seja, é preciso aquecer nosso coração e expressar uma adoração que o Senhor é digno de receber. Eu não me refiro aos cultos coletivos, focados nos templos, mas ao que acontece na privacidade de nossa casa, nosso quarto. Nosso culto pessoal precisa ser restaurado!
     Podemos continuar repetindo a história de uma fé superficial ou podemos mergulhar mais fundo. A escolha é nossa!

“E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração.” Jeremias 29:13

“A maior ameaça para a igreja não é o anticristo ou anticristianismo, mas um cristianismo vivido na superficialidade.”

Pr. Hilquias


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Procrastinação – um jeito sutil de adiar a vida!

    A relação do homem com o tempo sempre foi um dilema. Existem aqueles que são escravos do imediatismo, da impulsividade e por conta dessa postura cometem erros bárbaros e atraem para suas vidas, circunstâncias caóticas, dores profundas; mas existem aqueles que pelo temor do erro, vivem pisando no freio e adiando várias tomadas de decisão, como que tentando evitar o fracasso ou se esquivar de responsabilidades. Às vezes, os que assim procedem, sustentam tal prática no discurso da prudência. Mas até que ponto a evitação da vida, a postura esquivante, é prudência ou pecado? Procrastinar é deixar para depois, adiar, delongar, demorar, protelar, prorrogar. Ser prudente é necessário, mas viver adiando a vida é pecado contra nós mesmos, é sucatear o privilégio de viver, é desvalorização do tempo que recebemos de Deus.
    O tempo não volta e conjuntamente muitas oportunidades se perdem. A vida inclui riscos! Quem não quer correr riscos não deve projetar viver, pelo menos, não uma vida abundante, satisfatória. Como afirma Søren Kierkegaard: “Arriscar-se é perder o equilíbrio por algum tempo. Não se arriscar é perder a vida” Há um grande número de pessoas que se perdem diariamente, que sem perceberem morrem lentamente, deixando sempre para depois uma decisão que deveria ser tomada com urgência.
     A Bíblia diz que “a esperança adiada faz o coração ficar doente, mas o desejo realizado enche o coração de vida”. (Provérbios 13.12). Adiar quando se tem certeza da decisão a ser tomada é matar a esperança, é buscar o adoecimento. Normalmente o que nos falta não são convicções, mas coragem para assumir riscos e confiados no poder de Deus dar um passo de fé em direção a um sonho.
     Existem aqueles que discursam esperar o tempo certo. Mas que tempo certo é esse? Nem sempre o tempo será favorável para semearmos, para começarmos algum projeto, para iniciar um relacionamento, para se ter um filho, mudar de emprego, comprar um imóvel etc. Em Eclesiastes 11.4, Salomão diz que: “Quem fica esperando que o vento mude e que o tempo fique bom, nunca plantará, nem colherá nada.”
     Haverá momentos que a única garantia que teremos será a benção da companhia de Deus e nada mais, como Abraão ao ser chamado a sair da sua terra, do meio da sua parentela e caminhar no desconhecido, rompendo com a comodidade e o conforto. O tempo nem sempre se apresentará como ideal, mas, ainda assim, será preciso semear. De certa forma, procrastinar é deixar de colher o que Deus tem para sua vida. “Há tempo de nascer, e tempo de morrer” afirma Salomão em Eclesiastes 3.2. Não temos duas ou três vidas para vivermos, apenas uma e esta tem que ser vivida com intensidade. Não se furte ao direito de viver. O tempo está passando e implacavelmente não voltará atrás. Faz-se necessário vencer o medo de fracassar. Mas talvez você se pergunte, e se eu fracassar? Sinceramente, não há problema nisso, até porque o fracasso pode ser uma oportunidade de fazer melhor, mais bem feito.
     Viver procrastinando é tentar evitar o fracasso, mas nós fomos criados por Deus para algo muito maior do que simplesmente evitar o fracasso. Como afirma Pascal: “Assim, nunca vivemos, esperamos viver”. Não passe o resto da vida em fuga, viva!


"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar." (William Shakespeare)


Pr. Hilquias

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Crise de Integridade

“Fez ele o que era reto perante o Senhor; não, porém, com inteireza de coração.” II Crônicas 25.2



Este texto faz menção a Amazias, um jovem de 25 anos que assumiu o reinado em Jerusalém. A Bíblia é clara em dizer que ele fez o que era reto aos olhos de Deus, mas havia um problema, aliás, um grande problema, Amazias tinha um coração dividido, fragmentado, faltava-lhe integridade. A expressão “inteireza de coração” pode ser traduzida por “sinceridade” ou ainda, “perfeito”. No dicionário Michaelis, o adjetivo “íntegro”, denota “inteiro”, “completo”, “reto”, “imparcial”.  Em determinadas situações,  não  importa o que fazemos, mas com que motivação fazemos. Fazer o que é reto, é mais que obrigação de alguém que ama a Deus e que se entende discípulo de Jesus; mas ter o coração totalmente envolvido no Senhor, portanto, inteiro, sincero, íntegro, é a mais perfeita manifestação de adoração.
Vivemos um tempo de fragmentações: pessoas fragmentadas, famílias fragmentadas, fé fragmentada. Um das marcas inconfundíveis desse tempo é  a presença do humano de coração sempre dividido; como que vivendo na corda-bamba, se equilibrando entre o público e o privado, sempre assumindo papeis distintos em cada uma dessas áreas. A impressão que fica é  que duas personalidades completamente antagônicas, distintas habitam o mesmo ser. No público, ou seja, no trabalho, na faculdade, na igreja, na sociedade de forma geral, apresenta-se e firma-se um tipo de sujeito, sendo que este não é reconhecido como tal na vida privada, ou seja, na família; trata-se de outra pessoa completamente diferente. Na vida pública é educado, amigo, paciente, cortês, honesto, respeitador, atencioso, liberal; mas na vida privada, na família, é desleal, grosseiro, ofensivo, evasivo nas palavras, intolerante, desatento, egoísta etc. É comum percebermos certa frustração estampada no rosto de pais, cônjuges, filhos que não conseguem assimilar tamanha falta de integridade.  Alguns engolem com muita dor e indignação elogios destinados aos seus entes queridos, pois tais elogios não correspondem à verdade e não é compatível com a experiência na privacidade do lar.
O pior dessa história, é que esta condição se estende à relação com Deus, com a Igreja. Corações divididos, almas divididas! Enquanto tenta se afirmar como adorador, servo leal, discípulo de Jesus, enquanto se expressa “culto” a Deus nas grandes celebrações, mas simultaneamente e paralelamente, prostitui a fé, o caráter, os valores cristãos; negociando as verdades mais nobres do evangelho, vivendo dissolutamente, levianamente quando se está fora dos arraiais da fé, do templo, nas mais diversas relações sociais.
Esse tempo clama por integridade daqueles que dizem amar a Deus. E sinceramente, para resgatar a integridade perdida, será preciso mais que boa vontade, uma verdadeira revolução de caráter, uma reinvenção de nós mesmos, uma reaprendizagem de quem somos de fato e de quem queremos ser diante de Deus e das pessoas que amamos. Precisamos de um milagre!
Amazias é “representante” de muitos homens e mulheres, que nesses dias vivem norteados por um coração dividido e que desconsideram a integridade.
É certo que ocupamos papeis sociais diferentes e nos comportamos mediante esses papeis. O pai, o marido, o empregado, o patrão, o aluno, o cristão etc, são papéis diferentes e que exigem de nós posturas diferentes, no entanto, nosso caráter precisa ser o mesmo independente do lugar que ocupamos.
A Bíblia Sagrada afirma: “Aborreço a duplicidade, porém amo a tua lei.” Salmos 119.113. O salmista é categórico em dizer que não suporta conviver com pessoas falsas, que governam suas vidas num complexo esquema de “faz-de-conta”. É preciso romper que esse modo doentio de viver e buscar em Deus Integridade.
Não se permita viver dividido, fragmentado, pois o melhor de Deus habita na integridade, na inteireza de coração. Ser íntegro é não usar máscaras, mas ao contrário, é ser a mesma pessoa no coração, na mente e nas ações. Integridade é ser inteiro, não-dividido.
Se você se percebe fracassando nessa área, busque a Deus, clame, chore, ore, mas não abra mão ser inteiro. Trabalhe essa sua fraqueza, persista e não se renda até que ao final a integridade deixe de ser um alvo e torne-se um estilo de vida.
“Porque, quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com ele”.  II Crônicas 16.9

Quer um desafio diário? Tente a integridade.  Kléber Novartes

Pr. Hilquias

sábado, 13 de novembro de 2010

O Poder das Escolhas

“Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição” Deuteronômio 11.26

  De certa forma temos a vida que escolhemos ter. Nossas escolhas no passado nos conduziram ao lugar que hoje nos encontramos. É obvio que um grande número de conseqüências está para além de nossas escolhas, portanto, é também óbvio que coisas ruins acontecem a pessoas boas, como por exemplo, aqueles que foram vítimas de catástrofes naturais: terremotos, enchentes, furacões, dentre outros; e coisas boas acontecem a pessoas ruins, como filhos que herdaram fortunas de seus pais, depois de anos de maus tratos e violência. Mas é importante entender que este princípio do “acaso” não anula o princípio do livre arbítrio, da escolha.
  Bênção ou maldição são opções de vida! Deus põe diante de nós o poder de decisão sobre nossa própria existência e consequentemente sobre os frutos que colheremos no futuro.  
  Uma escolha define tudo, uma escolha redefine tudo, constrói, reconstrói ou destrói. O poder da vida e da morte está no poder das escolhas. Pelas escolhas cria-se, luta-se, vive-se; pelas escolhas entrega-se, assombra-se, morre-se. A maior de todas as armas está dentro de nós, dependendo de nosso livre arbítrio, ao pensar e ao abrir a boca, declarar e escolher o que fazer. Uma escolha define tudo!
  A falta de direção, de razão, de discernimento move o coração ao cume das escolhas mais insanas e transforma a vida num deserto sem oásis. Como seria bom se as escolhas fossem feitas na ótica no pleno conhecimento, da convicção inabalável. Mas isso não é verdade, pois o senso comum aponta para o absurdo da leviandade e do imediatismo pragmático, ou mesmo do emocionalismo inconseqüente, quando se faz a maioria das escolhas da vida. Na verdade tudo é uma questão de visão. Como nos enxergamos, como enxergamos o outro, a vida e o tempo. É assustador, mas corremos demais para parar e pensar antes de efetivar uma escolha e curiosamente perdemos tempo tentando saídas enquanto nossas escolhas nos levam ao caos. É preciso ver mais longe! Nossos olhos se parecem com faróis antigos que se impõem na mais densa neblina, por mais que se faça força e tente, o máximo que conseguimos é enxergar metro a metro, sem noção do perigo na próxima curva. É preciso enxergar mais longe! A vida é feita por escolhas! Por elas somos o que somos e fazemos daqueles que nos cercam o que são.
  Pela incapacidade de assumirmos posicionamentos éticos e corretos, fazemos a vida girar bem ligeiro, para tentar praticar a negação e esconder de nós mesmos e de quem nos ameaça o porquê estamos onde estamos; o que nos levará ao passado, às escolhas mais apressadas que fizemos, sem perceber sua repercussão no tempo e no espaço. A vida é feita por escolhas!
Tarde demais! Às vezes essa expressão grita no peito. O tempo não volta, não para, não desacelera, o tempo é senhor de si mesmo, impera contra a vontade daqueles que acham que podem domá-lo. Voltar no tempo não gera o novo, apenas remoe o velho e na melhor das hipóteses, a atitude que talvez faça a diferença é redefinir as escolhas e contar com a generosidade do tempo e da graça de Deus, transformando o hoje e o agora, e sonhando com o reflexo no futuro. Se a manutenção do velho é tudo o que conseguimos, se a esperança no novo é árvore velha longe das correntes de águas, refletindo fragilidade e prazo curto de vida, então um dia podemos acabar dizendo; Tarde demais!
  Mesmo que suas escolhas tenham sido pautadas nos erros mais bárbaros, portanto, geradoras de dor, de fracasso e frustrações; nunca será tarde demais para um Deus que pode chamar à existência o que ainda não existe; para um Deus cheio de graça e misericórdia. Não dá para mudar o passado, mas podemos reconstruir o hoje e colher os benefícios dos milagres de Deus no futuro bem próximo.
 Tente enxergar a vida pela ótica de Deus, pela fé, pela esperança e com os pés no chão e coração no céu, reflita sobre suas possíveis escolhas e as faça com segurança.
A vida se define pelas escolhas!
Se defina!
Não basta respirar, é preciso viver!
Faça a vida valer à pena!

"Deleita-te também no SENHOR, e te concederá os desejos do teu coração."  Salmos 37.4

“A morte é mais universal que a vida; todo mundo morre, mas nem todo mundo vive.”  Alan Sachs


Pr. Hilquias